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Em Foco!
Pedro Couto e Santos
Geracao Digital...
Hoje em dia não escrevemos em papiro, não talhamos as nossas mensagens em pedras, não as gravamos em pedaços de madeira… pelo menos não como forma de comunicação de massas. Usamos papel. Escrevemos em papel, imprimimos em papel e muitas vezes desenhamos e pintamos em papel.

Charley Parker - "Argon Zark"
Charley Parker é o exemplo acabado do artista digital. Tudo aquilo que faz, faz no computador. Aconselhamos vivamente uma visita a www.zark.com para conhecer este trabalho.
Na imagem apresentada, o desenho do personagem foi criado usando uma mesa de desenho digital Wacom e o programa "Painter"; O cenário foi criado usando o programa "Bryce 3D". Este quadro é um fragmento de uma BD, montada em "PhotoShop" e publicada directamente na web. Começado, acabado e publicado num computador.

Mas eis que surge um novo meio.

Quando andava a estudar tinha pânico de impressoras, fossem desktop ou offset; embora gostasse de todo o processo de criação e acabamento, tinha sempre a certeza que não queria ser visto no raio de 10 km de uma tipografia ou gráfica industrial; não queria ouvir falar de fotolitos, provas de cor, quadricromia, etc, etc, etc.
Então, "fez-se" a internet; tal como, milénios atrás, contam alguns livros, se terá feito a luz. E pela internet e na internet, sobre, sob e através da internet podia comunicar-se por letras e imagens feitas num computador e passadas, tout simplement, para um computador. Não há mudança de meio, não há gasto de energia, como aprendemos na física (ou seria na química?).

E que energia é esta?

É aquela que não queremos gastar, é aquela que desperdiçamos a resolver problemas que não são os nossos, é aquela que nos faz ficar a pé a olhar para máquinas sem sentido que cospem folhas com tinta em quantidades que não interessam mencionar… e depois, no fim, voltar a fazer tudo de novo, porque não ficou bem, porque aquilo que fizemos de um lado, saiu de outra cor do outro.

Na actualidade, o designer tem ao seu dispor, numa só máquina, a possibilidade de controlo absoluto do processo criativo e produtivo. Esboçar em digital, compor, acabar e publicar em digital é já possível e deve começar a pensar-se seriamente se não será a melhor alternativa para o novo século (não digo milénio, pois é demasiado tempo…).

A internet é um meio de um alcance nunca antes sonhado pela maioria dos editores; poderá, é verdade, não ser muito barato em todo lado (veja-se o caso de Portugal em que, sobretudo a empresa responsável pelas linhas telefónicas suga os utilizadores até ao tutano), mas convenhamos que mais rapidamente nos ligamos à internet do que assinamos um jornal diário ou uma revista semanal, pelo simples facto que online temos acesso a milhares de jornais diários e milhares de revistas semanais. Temos acesso a milhares de serviços e a milhões de pessoas, milhões de opiniões e milhões de pontos de vista.

O designer de comunicação tem a obrigação de fomentar as novas tecnologias de informação, pois o seu objectivo deve ser sempre criar a comunicação mais eficaz e mais abrangente e, hoje em dia, cada vez menos o papel é a melhor forma de o fazer. No meio digital o designer recebe de novo, como nos tempos iniciais da actividade, nas suas mãos a responsabilidade última da qualidade do seu trabalho.

Teríamos ainda papel, se o negócio da publicidade na imprensa não fosse apetitoso e lucrativo?

Teremos ainda milhões de jornais e revistas quando o negócio da publicidade na internet for igualmente (ou superiormente) lucrativo?

Irá o papel morrer, como forma de comunicação de massas?


Artigo por Pedro Couto e Santos, sócio gerente da nitroDESIGN. Nunca tendo acreditado nas suas capacidades de representação, viu a luz perto do final do seu curso de Design na Faculdade de Belas Artes. Dedicou o quinto ano à ilustração e tem-se devotado religiosamente à BD, cartoon e ilustração nos últimos seis anos. E para quem ainda não acredita, acrescente-se que "practice makes perfect" também se aplica ao desenho.

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